A Netflix voltou a dar que falar no universo dos documentários de true crime, com Unknown Number: The High School Catfish, realizado por Skye Borgman, nome já conhecido por obras como Girl in the Picture e Abducted in Plain Sight.
Lançado no passado dia 29 de Agosto, Unknown Number: The High School Catfish rapidamente se tornou num dos documentários mais vistos na plataforma. Além de um verdadeiro murro no estômago, mesmo para os mais “fortes”, é um documentário que aborda várias questões, todas elas capazes de deixarem o espectador surpreendido. A história foi noticiada um pouco por todo o mundo, porém, como aquele como vos escreve neste momento, nem todos acompanhámos o caso na altura! O twist final é assim, verdadeiramente surpreendente.

Quando o cyberbullying ultrapassa a linha do inimaginável
Unknown Number: The High School Catfish acompanha dois adolescentes do Michigan, Lauryn Licari e Owen McKenny, que entre 2020 e 2021 passaram a ser alvo de uma enxurrada de mensagens anónimas, abusivas e intimidatórias. Chegavam a receber entre 40 a 50 notificações por dia, repletas de insultos, ameaças e conteúdos de natureza sexual. O que, à partida, parecia ser mais um caso de rivalidade escolar ou de bullying online, acabou por ganhar proporções impensáveis, envolvendo não apenas colegas, mas também professores, famílias e até o FBI.
É aqui, quando descobrimos o twist final, que o documentário nos atinge com violência! Mesmo para os mais habituados a estas andanças, aos filmes, reviravoltas mais ou menos habituais da Netflix, esta mudança de direção resulta numa inata estupefacção! A faltar, fica apenas uma mais aprofundada abordagem à personagem causadora de todo este rebuliço, à sua doença, que apesar de referida e explicada de forma muito superficial, no meu entender, precisava de ser um pouco mais detalhada e trabalhada.
Veja aqui o trailer de Unknown Number: The High School Catfish
Mais do que um caso de bullying
Para além de expor a fragilidade das redes sociais e a facilidade com que se destrói a paz de espírito de alguém com apenas alguns toques num ecrã, o filme levanta uma questão ainda mais perturbadora: quando o assédio esconde algo maior do que uma simples rivalidade adolescente. Especialistas que comentam o caso sugerem que comportamentos como estes podem estar associados a distúrbios psicológicos altamente complexos — semelhantes a quadros em que alguém cria situações artificiais de sofrimento para manipular ou controlar as emoções dos outros. Este ângulo dá ao documentário uma camada extra de inquietação, principalmente para quem o visiona, mostrando que o fenómeno vai muito além do bullying escolar.

Impacto no público
Desde a estreia, Unknown Number: The High School Catfish tem gerado reações intensas. Muitos espectadores descrevem a experiência como “angustiante” e “perturbadora”, sobretudo pela forma como o enredo se desenvolve e pelo peso emocional que transmite. As redes sociais foram inundadas de comentários de choque, com pessoas a partilharem experiências pessoais ligadas ao cyberbullying e à dificuldade de perceber até onde pode ir a crueldade humana quando escondida atrás de um número anónimo.
Curiosidades de produção
- Borgman combina entrevistas íntimas com imagens de arquivo e até reconstituições em película de 8mm, criando um ambiente visual que mistura nostalgia com tensão dramática.
- O caso retratado aconteceu em plena pandemia, um período em que a vida digital dos adolescentes ganhou ainda mais espaço — o que torna a história particularmente relevante para debates atuais sobre tecnologia e saúde mental.
- O documentário levanta ainda reflexões sobre confiança, privacidade e os limites entre a proteção familiar e a invasão de espaço pessoal.
Um alerta necessário
Mais do que uma narrativa de crime, Unknown Number: The High School Catfish é um espelho social das vulnerabilidades da vida online e dos danos invisíveis brutais que o cyberbullying pode causar. Simultaneamente, não deixa de ser um convite à reflexão profunda sobre saúde mental e sobre a necessidade de olhar para além da superfície de comportamentos aparentemente inexplicáveis.

O resultado é agridoce! É um filme que prende, nos choca profundamente e, acima de tudo, alerta — um daqueles documentários que nos deixa a pensar “como foi isto possível?” e que, no fim, nos fica na memória, não pela qualidade de filmagem, ou técnica de som, ou pela montagem, mas sim pela história que conta, a qual, ainda para mais, é puramente verídica. Diria que não é um filme para estômagos fracos, porém, também diria que todos deveríamos vê-lo! Às vezes o banho de realidade é ainda pior do que aquele que imaginávamos!
Pode seguir-nos aqui para mais conteúdos deste tipo.






