A comunicação faz parte das nossas vidas e de forma intensa. Entre notificações constantes e textos intermináveis, um novo conceito propõe uma forma mais simples e eficaz de comunicar num mundo saturado de palavras.
Pode surpreender uns, pode ser algo completamente aceitável para outros. Mas os números parecem ser interessantes ou pelo menos “questionáveis”. Pegamos no telemóvel em média 344 vezes por dia. Saltamos de link em link, passamos menos de 15 segundos em muitas páginas e deixamos por abrir uma parte significativa dos e-mails, mesmo quando os consideramos importantes. É um “fenómeno”, tão banal quanto exaustivo e interiorizado em cada um de nós — e um que está a moldar silenciosamente a forma como pensamos, trabalhamos e, principalmente, comunicamos.
Um mundo a afogar-se em palavras
A tecnologia absorve-nos, rodeia-nos e, “pior” que isso, chega a tomar conta de nós. Emails, mensagens, notificações, publicações, memorandos, newsletters, stories, vivemos num mundo onde a comunicação se tornou uma constante. E grande parte do “problema” não é apenas a quantidade, mas sim a incapacidade de “lidarmos” com todas as frentes de uma tecnologia que veio para ficar. O tempo que demoramos a ler conteúdos é cerca de 26 segundos e nas páginas web, esse tempo desce consideravelmente para menos de 15 segundos, segundos estudos recentes.

A atenção como recurso escasso
O cérebro humano sempre foi propenso à distração. Desde jovens que a nossa atenção é facilmente dispersada, até à idade adulta, fase em que acontece exatamente o mesmo, dependendo, claro está, do interesse de cada um. A diferença da atualidade para o passado, é que hoje somos constantemente bombardeados com estímulos, vindos das mais diversificadas origens. O resultado óbvio, mas nem sempre facilmente detetado, é uma atenção dispersa, facilmente interrompida e ainda mais difícil de recuperar.
Os números assustam! Depois de sermos distraídos, a grande maioria de nós demoram mais de 20 minutos a retomar o foco. Neste cenário, não surpreende que grande parte das mensagens importantes fique perdida no nosso funil diário de trabalho e não surpreende que seja tão fácil nos perdermos no nosso dia a dia. Apesar dos avanços da tecnologia, um terço dos emails de trabalho fica por ler. Muitas notícias são partilhadas sem serem abertas. Capítulos inteiros de livros passam despercebidos ou incapazes de ficarem na nossa memória, no fundo, descartamos conteúdos em vez de os retermos.
O vício da tecnologia digital
A lógica das plataformas digitais reforça este comportamento. Cada clique, like ou notificação ativa pequenos picos de dopamina, criando um ciclo difícil de quebrar. Clicar acaba por se tornar um gesto automático, repetido vezes sem conta ao longo do dia, de forma quase automática ou totalmente automática. A falta do padrão de concentração ou de retenção de informação, como quando estamos a ler, ou até da dificuldade de comunicação, surge precisamente porque a nossa atenção é subdividida por uma série infindável de pontos de foco, demasiados para a nossa capacidade de processamento de informação. No fundo, é simplesmente demasiada tecnologia!
Porque é que comunicar como antes já não resulta
Apesar de sabermos que as pessoas têm menos tempo e mais distrações, o tamanho continua a ser associado à importância, um pouco à imagem do que acontece com o ditado português “os olhos também comem”. E, por isto, textos longos são vistos como mais sérios, livros espessos como mais inteligentes e trabalhos académicos medem-se em páginas. E ainda assim, estamos cada vez pior na comunicação, oriundo também do baixo investimento por parte das empresas em formar nesse sentido. E a tecnologia, quando não corretamente trabalhada, desajuda a essa evolução.

Comunicar melhor num mundo saturado
Vivemos rodeados de ruído, que dificultam a comunicação. Dentro e fora do trabalho, dentro e fora das nossas vidas pessoais. A fadiga mental é real e tem impacto na produtividade, na criatividade e no bem-estar. Num mundo onde a atenção é um dos recursos mais disputados, a comunicação torna-se uma vantagem se a conseguirmos colocar em prática. Até porque, a comunicação é e será sempre uma necessidade.
O que é o Smart Brevity?
O Smart Brevity – O poder de dizer mais com menos é uma criação, um livro assinado Jim VandeHei, Mike Allen e Roy Schwartz que pretende deixar uma linha orientadora na problemática: comunicar menos palavras, com mais intenção. O Smart Brevity pretende transmitir clareza, a partir de frases curtas, ideias bem organizadas, palavras fortes, estruturas visuais simples e uma hierarquia clara da informação, com o objetivo de adaptar a comunicação à forma como as pessoas realmente consomem conteúdos hoje. Se é uma medida que funcionará? Só o tempo o dirá, porém, a única certeza que existe é que, de facto, todos nós precisamos de melhorar a comunicação, seja ela de que tipo for.
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