Com o verão em plena força e os dias passados ao sol, é essencial desfazer mitos, adotar cuidados e estar atento aos sinais. A saúde da sua pele depende disso.
O sol convida a sair, a mergulhar no mar, a passear com roupas leves e a celebrar os dias longos — mas também traz consigo um dos maiores riscos para a saúde da sua pele: o cancro cutâneo. Em Portugal, os casos têm vindo a aumentar e, segundo especialistas, esta realidade exige mais do que simples cuidados sazonais — exige prevenção consciente durante todo o ano.
Cancro da Pele: O que é e por que nos deve preocupar?
O cancro da pele ocorre quando as células cutâneas sofrem alterações anómalas e se multiplicam descontroladamente, formando tumores. Estes dividem-se em dois grandes grupos:
- Cancros Não-Melanoma: como o carcinoma basocelular e o espinocelular — mais comuns e geralmente menos agressivos.
- Melanoma: o tipo mais grave, com capacidade de metastizar (espalhar-se para outros órgãos) e de se tornar fatal se não for detetado a tempo.
Embora o melanoma seja mais raro, a sua deteção precoce pode garantir uma taxa de cura superior a 90%. O problema? Muitas vezes, os sinais passam despercebidos ou são ignorados.
Verão: a época crítica — e também a melhor altura para vigiar a pele
O sol é um fator de risco incontornável. A exposição solar crónica está associada aos cancros mais comuns da pele, mas o melanoma, particularmente perigoso, está mais ligado às queimaduras solares ocasionais, especialmente na infância e adolescência.
É por isso que o verão, além de ser a estação de maior risco, é também o momento ideal para estar atento à sua pele: com o corpo mais exposto, torna-se mais fácil observar alterações suspeitas, desde sinais que mudam de cor até lesões que não cicatrizam.
Sinais de Alerta: Aprenda a regra do ABCDE
Uma ferramenta simples e eficaz para a autoavaliação da saúda da sua pele é a regra do ABCDE, que ajuda a identificar possíveis melanomas:
- A – Assimetria: uma metade do sinal é diferente da outra;
- B – Bordos irregulares: contornos mal definidos;
- C – Cor: várias tonalidades num mesmo sinal (castanho, preto, vermelho);
- D – Diâmetro: superior a 6 mm (aproximadamente o tamanho de uma borracha de lápis);
- E – Evolução: qualquer alteração recente de forma, cor, tamanho ou sintomatologia (comichão, sangramento).
Ao identificar algum destes sinais, é fundamental consultar um dermatologista. O diagnóstico precoce pode literalmente salvar vidas.

Erros Comuns na Proteção Solar — e Como Corrigi-los
Especialistas alertam para vários comportamentos negligentes, muito comuns no verão:
- Não usar protetor solar ou usar fatores inferiores ao recomendado.
✅ O ideal é FPS 50, de largo espetro (UVA e UVB). - Não reaplicar o protetor.
✅ Deve ser reaplicado de 2 em 2 horas, e sempre após nadar ou transpirar. - Confiar apenas no protetor solar como forma de proteção.
✅ Deve ser sempre complementado com sombra, chapéu e roupas protetoras, além de evitar o sol entre as 11h e as 16h.
Desmistificar o Cancro da Pele: O que é mito e o que é verdade?
🧴 Mito 1: “Solários são mais seguros do que apanhar sol natural.”
❌ Falso. Os solários expõem a pele a níveis intensos de radiação UV, aumentando consideravelmente o risco de melanoma.
🧴 Mito 2: “O protetor solar protege totalmente.”
❌ Falso. Nenhum protetor é 100% eficaz. É apenas uma parte da estratégia de proteção.
🧴 Mito 3: “Pessoas com pele escura não têm risco de cancro da pele.”
❌ Falso. Todos podem desenvolver cancro da pele. Em peles mais escuras, o diagnóstico pode ser tardio porque as lesões são menos visíveis.
🧴 Mito 4: “Usar protetor solar impede a produção de vitamina D.”
❌ Falso. A exposição solar diária breve é suficiente para a síntese da vitamina D, mesmo com protetor.
🧴 Mito 5: “Não é preciso protetor solar no inverno ou em dias nublados.”
❌ Falso. Os raios UV atravessam as nuvens e estão presentes durante todo o ano.
O Dermatologista: Mais do que estética, uma questão de saúde
Muitas vezes, os dermatologistas são vistos apenas como especialistas em pele estética. Mas o seu papel na prevenção do cancro é vital. São os profissionais mais bem preparados para identificar lesões suspeitas, acompanhar sinais ao longo do tempo e realizar biópsias, se necessário.
👉 Uma consulta de rotina pode fazer a diferença entre um diagnóstico precoce e um tratamento mais invasivo.
Prevenir é o melhor protetor solar
O cancro da pele é um dos poucos tipos de cancro que pode ser, em grande parte, evitado. Pequenas ações, como aplicar protetor corretamente, evitar horas de maior radiação e conhecer os sinais de alerta, podem proteger não só a saúde da sua pele, a sua saúde — mas também a vida. Neste verão, e em todas as estações, cuide do maior órgão do seu corpo com o respeito que ele merece. A sua pele agradecerá.






