A série Adolescência, da Netflix, aborda diversos temas pertinentes à juventude atual, sendo um dos mais controversos, o termo e a definição de “incel”.
A abordagem desta questão é feita de forma direta, trazendo à luz um fenómeno que tem repercussões, tanto online como na vida real e um que é (era) completamente desconhecido para muitos de nós. Mas afinal, o que significa “incel” e por que razão o termo suscita tanta preocupação?
O Significado de “incel”?
A palavra incel é a abreviação de “involuntary celibate”, ou seja, “celibatário involuntário”. Trata-se de um termo que se refere a indivíduos, geralmente homens heterossexuais, e que são normalmente incapazes de estabelecer relações românticas ou sexuais, atribuindo sempre essa dificuldade a fatores externos, como a sociedade ou as mulheres.
Os fóruns online de incels tornaram-se notórios pelo discurso de vitimização e, em alguns casos, pela promoção de violência. Um dos exemplos mais conhecidos, foi o caso de Elliot Rodger que, em 2014, assassinou seis pessoas em Isla Vista, Califórnia, acompanhado de um manifesto onde expressava a sua revolta contra as mulheres por o rejeitarem.
Os incels são assim associados a uma subcultura online marcada por:
- Ressentimento contra mulheres, vistas como superficiais ou interesseiras.
- Crença em hierarquias de atratividade (como a “blackpill”, ideia de que a aparência determina irremediavelmente o sucesso amoroso).
- Vitimização extrema, com alguns a justificarem atitudes violentas.

Como o conceito de “incel” aparece na série Adolescência
Na série Adolescência, a terminologia incel é explorada através das interações digitais e do comportamento de certos personagens, com os principais visados a serem adolescentes e a forma como comunicam frequentemente por emojis e mensagens criptografadas, sendo um deles o protagonista da história e que acaba por se envolver em comunidades online onde o discurso incel é promovido.
A narrativa mostra como a solidão, a insegurança e a falta de apoio emocional podem levar adolescentes a procurar refúgio em grupos tóxicos que reforçam ideias misóginas. A série alerta também para os perigos da radicalização online e como discursos aparentemente inofensivos facilmente podem escalar para ideologias prejudiciais.
As Problemáticas do “Incel”:
- Misoginia: O discurso incel é profundamente misógino, culpando as mulheres pela sua falta de sucesso romântico e sexual.
- Violência: Em casos extremos, a frustração e o ressentimento podem levar à violência contra as mulheres.
- Isolamento: A comunidade incel alimenta o isolamento social, dificultando a criação de relações saudáveis.
- Distúrbios Psicológicos: Muitos incels sofrem de distúrbios psicológicos, como depressão e ansiedade, que agravam os seus sentimentos de frustração e ressentimento.
Como prevenir e lidar com este fenómeno
A série Adolescência serve como um sinal alerta, tanto para pais e educadores, sobre a importância de uma vigilância ativa e do diálogo com os adolescentes. Algumas estratégias fundamentais incluem:
- Conversas abertas sobre emoções e relacionamentos: Muitos jovens que acabam em fóruns incel fazem-no por falta de um espaço onde possam expressar as suas inseguranças de forma saudável.
- Educação digital: Ensinar sobre os perigos da radicalização online e como identificar discursos prejudiciais pode ajudar os adolescentes a desenvolver pensamento crítico.
- Promoção da autoestima e empatia: Trabalhar a confiança dos jovens e fomentar relações saudáveis pode reduzir a necessidade de procurar validação em comunidades tóxicas.
- Supervisão sem invasão de privacidade: Os pais devem estar atentos ao tipo de conteúdos que os filhos consomem online sem recorrer a medidas extremas que possam gerar ainda mais afastamento.
Se há lição que Adolescência nos deixa é que a resposta para a solidão ou frustração não está no ódio, mas na conexão e nas ligações humanas e interpessoais. E isso começa em casa, nas escolas e numa sociedade que precisa de estar atenta aos jovens que se sentem invisíveis.







