O recente avistamento de uma nuvem de funil em Almeirim, Santarém, despertou a curiosidade e o receio de muitos.
Este evento meteorológico, muitas vezes confundido com um tornado, é fascinante pela sua formação e aparência. Neste artigo, exploramos em detalhe o que é uma nuvem de funil, como se forma, os riscos associados, as diferenças em relação a um tornado e os mitos que circulam e facilmente se propagam sobre este fenómeno, nem todos tão verdadeiros quanto isso.
O que é uma Nuvem de Funil?
Uma nuvem de funil é simplesmente uma coluna de ar em rotação, que se estende da base de uma nuvem, normalmente apelidada de cumulonimbus (que é um tipo de nuvem verticalmente desenvolvida, conhecida por ser a maior e mais imponente das nuvens, sendo frequentemente associada a tempestades intensas, trovoadas, chuva forte, granizo e, em alguns casos, tornados, mas que não chega nunca tocar o solo. A nuvem de funil tem a forma de um cone ou funil, daí o seu nome, e é composta por gotículas de água condensada. É, geralmente, um fenómeno de curta duração, podendo dissipar-se em poucos minutos.

Como se Forma uma Nuvem de Funil e em que Condições?
Para este fenómeno ocorrer é preciso acontecer instabilidade atmosférica, ou seja, que se experienciem condições atmosféricas instáveis, geralmente associadas a tempestades severas. Ocorre também quando há uma combinação de ar quente e húmido ascendente e ar frio descendente, criando uma rotação vertical e o aspeto afunilado e em constante movimento. A rotação, inicialmente horizontal, pode inclinar-se verticalmente devido a mudanças na velocidade e direção do vento com a altitude, dando o aspeto de cone que se vai estendendo mediante as condições daquele momento e naquela local específico. A nuvem de funil é visível devido à condensação do vapor de água no ar em rotação.
A nuvem de funil forma-se quando o ar quente e húmido sobe rapidamente, criando uma área de baixa pressão. A rotação do ar é intensificada pelas correntes ascendentes, formando um vórtice visível. Contudo, se o vórtice não tocar o solo, mantém-se sempre como uma nuvem de funil, sendo este um dos aspetos principais que a diferem do conhecido e temido tornado.
Riscos na Formação de Uma Nuvem de Funil
Embora nem todas as nuvens de funil acabem por se transformar em tornados, a verdade é que a presença delas representam, efetivamente, um risco potencial para tal acontecer. Se a rotação vertical se estender até ao solo, dando-se o referido contacto do cone da nuvem com o solo, pode formar-se um tornado, esse sim um fenómeno que é classificado precisamente na sua intensidade do vento, o qual, quando com ventos fortes, é capaz de causar danos significativos. As nuvens de funil também podem estar associadas a outros perigos, como granizo intenso.
Estas nuvens, além de representarem possíveis fenómenos extremos, estão também associados a episódios de grande turbulência, devido aos ventos fortes, tornando a nuvem de funil extremamente perigosa para a aviação. A sua aparência impressionante pode igualmente causar alarme nas populações locais.

Principais Diferenças Entre uma Nuvem de Funil e um Tornado
- Contacto com o solo:
- Nuvem de funil: Não toca o solo.
- Tornado: Toca o solo, causando destruição.
- Intensidade:
- Nuvem de funil: Geralmente menos intensa.
- Tornado: Pode atingir velocidades de vento superiores a 480 km/h.
- Duração:
- Nuvem de funil: Curta duração (minutos).
- Tornado: Pode durar de minutos a horas.
Mitos Normalmente Associados às Nuvens de Funil
- “É um tornado fraco”:
- Verdade: Uma nuvem de funil pode evoluir para um tornado, porém, nem sempre o faz.
- “São raras em Portugal”:
- Verdade: São menos comuns do que noutras regiões do mundo, mas ocorrem com alguma frequência em condições meteorológicas específicas.
- “São inofensivas”:
- Verdade: Enquanto não tocarem o solo, são geralmente inofensivas, mas podem causar alarme e têm potencial para se tornarem tornados.
- “São um sinal de mau tempo extremo”:
- Mito: Nem sempre estão associadas a tempestades severas; podem ocorrer em condições consideravelmente menos extremas.
- “As nuvens de funil são sempre visíveis”
- Mito: De facto, estas podem ocorrer de forma dissimulada, podendo ser obscurecidas por chuva ou até nevoeiro.
Curiosidades sobre Nuvens de Funil e Alguns Cuidados
O termo “funil” deriva da sua forma cónica, que em tudo se assemelha a um funil. Embora muito menos comum do que noutros países, Portugal já registou vários casos, especialmente em regiões com maior instabilidade atmosférica. O fenómeno é conhecido há séculos, mas só com o avanço da meteorologia moderna foi possível compreender a sua formação.
Na eventualidade de se deparar com um destes fenómenos, deve comunicar a situação às autoridades meteorólogicas com a maior brevidade possível. Se se encontrar de alguma forma exposto ou em locais menos indicados, é importante que procure abrigo em locais seguros durante tempestades severas, especialmente se houver relatos de nuvens de funil ou tornados. As nuvens de funil são mais comuns em zonas de planície, como é o caso Ribatejo, contudo, e na verdade, podem ocorrer em qualquer local.
A nuvem de funil observada em Almeirim é um exemplo da complexidade e beleza da natureza. Embora bem menos perigosa do que um tornado, a sua aparência impressionante e o potencial para evoluir para um tornado justificam a atenção dada a este fenómeno. Compreender as suas características e riscos ajuda a desmistificar mitos, bem como a preparar comunidades para eventuais situações de risco. Em caso de dúvida ou preocupação, consulte sempre fontes oficiais, como o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), para obter informações precisas e atualizadas.






