Mr. Bean foi um marco do humor britânico, devido ao seu humor físico, episódios memoráveis e uma carreira que se estendeu à televisão, cinema e até animação.
O nascimento de uma lenda do humor
Foi a 1 de janeiro de 1990 que o mundo conheceu, pela primeira vez, uma figura insólita, de poucas palavras, mas com expressões inconfundíveis: Mr. Bean. A estreia decorreu na ITV britânica, num episódio especial de Ano Novo, com cerca de 25 minutos, que rapidamente captou a atenção do público pela sua originalidade. Em Portugal, a série começou a ser transmitida em meados da década de 1990, pela RTP, tornando-se rapidamente num dos programas de humor mais populares entre crianças e adultos.
Criado por Rowan Atkinson, que entrega e dá o corpo à personagem, em parceria com os argumentistas Richard Curtis e Robin Driscoll, Mr. Bean é uma personagem que cruza o humor físico de Buster Keaton e Jacques Tati com a irreverência britânica. Apesar de ser um adulto, o comportamento de Bean é quase infantil, com raciocínios ilógicos e soluções absurdas para os problemas mais banais. O resultado? Riso garantido e universal — mesmo sem precisar de diálogo.

Rowan Atkinson: do palco à eternidade
Rowan Atkinson, nascido em 1955 em Inglaterra, começou por estudar engenharia elétrica em Oxford, mas a sua veia cómica cedo o levou aos palcos e à televisão. Antes de Mr. Bean, destacou-se em séries como Not the Nine O’Clock News e sobretudo Blackadder (1983–1989), onde demonstrou um humor mais sofisticado e verbal. A criação de Mr. Bean marcou uma viragem: um personagem praticamente mudo, universal, com apelo internacional imediato.
Segundo o próprio Atkinson, Mr. Bean foi inspirado em Charles Chaplin e foi concebido para comunicar através da expressão corporal e visual, sendo um “criança num corpo de adulto”. Este conceito permitiu que a série tivesse sucesso em mais de 190 países, muitas vezes sem necessidade de dobragem ou legendas.
Uma série curta, mas de enorme impacto
Apesar do seu sucesso, a série original teve apenas 14 episódios, produzidos entre 1990 e 1995. Cada episódio apresentava a personagem em situações quotidianas — ir à praia, visitar um dentista, ir à igreja ou simplesmente preparar uma sanduíche num parque — transformadas em caos absoluto pela sua visão peculiar do mundo.
Entre os episódios mais memoráveis destacam-se:
- “The Return of Mr. Bean” (1990), com a célebre cena do restaurante;
- “Do-It-Yourself Mr. Bean” (1994), onde tenta remodelar o apartamento com tinta numa lata de dinamite;
- “Merry Christmas, Mr. Bean” (1992), considerado um clássico natalício da televisão britânica.
Assista aqui a entrevista a Rowan Atkinson, na comemoração dos 35 anos de Mr. Bean.
Mr. Bean no cinema e além
O sucesso televisivo deu origem a dois filmes live-action:
- “Bean: Um Autêntico Desastre” (Bean, 1997) – Uma comédia em que Mr. Bean é enviado aos Estados Unidos como especialista de arte, com consequências desastrosas. Foi um sucesso de bilheteira, arrecadando mais de 250 milhões de dólares mundialmente.
- “As Férias de Mr. Bean” (Mr. Bean’s Holiday, 2007) – Bean ganha uma viagem a França e tenta chegar a Cannes, num filme com ainda menos diálogos e grande foco em humor visual. Foi igualmente um sucesso de bilheteira, arrecadando cerca de 230 milhões de dólares.
Ambos os filmes reforçaram o alcance global da personagem e serviram para apresentar Mr. Bean a novas gerações. Além dos filmes, foi criada uma série animada, que estreou em 2002, com várias temporadas produzidas até 2019, num total de 130 episódios animados. Rowan Atkinson dá voz à personagem, mantendo o tom característico do original.
Um fenómeno à escala Mundial
Apesar de não serem produzidos novos episódios da série original há décadas, Mr. Bean continua a ser uma figura incontornável da cultura popular. A sua página oficial no YouTube, tem mais de 30 milhões de subscritores, com vídeos que acumulam milhões de visualizações por semana.
Rowan Atkinson, atualmente com 70 anos, revelou que não pretende regressar a Mr. Bean em formato live-action, devido à exigência física da personagem. No entanto, em 2021 surgiu uma curta-metragem especial com Bean em animação, alusiva à pandemia, intitulada Handwashing with Mr. Bean.

Curiosidades que talvez não conheça
- A primeira aparição pública de Mr. Bean foi antes mesmo do episódio de estreia: Rowan Atkinson apresentou a personagem num sketch para o festival Just for Laughs em Montreal, em 1987.
- O carro de Mr. Bean, um Mini verde com capô preto, tornou-se quase tão marcante como a personagem. Um dos modelos originais está exposto no museu do automóvel em Beaulieu, no Reino Unido.
- Mr. Bean raramente fala, mas quando o faz, usa um tom grave e distorcido — voz criada por Atkinson de forma propositada para aumentar o efeito cómico.
- Em 2012, Mr. Bean voltou a ser centro das atenções ao aparecer na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, numa hilariante atuação ao piano com a Orquestra Sinfónica de Londres.
Um símbolo do humor britânico
Mr. Bean celebra agora 35 anos de existência como uma das personagens mais universais da televisão mundial. Sem grandes palavras, mas com gestos exagerados e situações hilariantes, tornou-se um símbolo da comédia britânica e da capacidade de fazer rir sem fronteiras nem idiomas. Mais do que um personagem, Mr. Bean é hoje um símbolo do entretenimento global — intemporal, inconfundível e para sempre… com uma elevada tendência para o disparate.
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