Da saúde oral à performance cognitiva, explica o que realmente está comprovado sobre mascar pastilha elásticas — e o que continua longe de ser verdade.
A ideia de que mascar pastilha elástica diariamente traz “benefícios astronómicos” é defendido por alguns, porém, a ciência parece dizer outra coisa: trata-se de uma extrapolação, longe de ser uma verdade universal. Ainda que, de facto, possam existir benefícios possíveis, o tema é muito mais complexo do que parece.

Mascar pastilha elástica todos os dias: benefício real ou exagero?
Segundo especialistas, existe alguma evidência científica de que a mascar pastilha elástica pode melhorar a saúde oral, o bem-estar, a função gastrointestinal, e até a performance cognitiva e desportiva. Em contexto hospitalar, também pode ser usada como auxiliar em pós-operatórios ou programas de cessação tabágica. No entanto, não existe recomendação científica que defenda o consumo diário como hábito universal. Tudo depende do tipo de pastilha, do contexto e do objetivo.
O que a ciência realmente comprova
Benefícios na saúde oral (mas só com pastilhas sem açúcar)
A evidência mais forte diz respeito a mascar pastilha elástica sem açúcar, sobretudo as que contêm xilitol. Segundo um relatório oficial da EFSA — Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, este tipo de pastilha:
- ajuda a manter a mineralização dos dentes;
- contribui para neutralizar os ácidos da placa bacteriana;
- reduz a secura da boca.
Tal significa que mascar pastilha elástica, sem açúcar, reforçamos, pode ser positivo, ainda que não substitua a escovagem, fio dentário ou consultas de higiene oral.
Performance cognitiva e desportiva: há sinais, mas não certezas
Alguns estudos mostram que mascar pastilha elástica apresenta melhorias em:
- foco;
- tempo de resposta;
- memória de curto prazo.
Estes efeitos parecem ser mais evidentes quando a pastilha elástica contém cafeína. Contudo, os especialistas afirmam que existe outra vertente de estudos que não confirma estes resultados, pelo que os benefícios não são garantidos e que a longo prazo, não há evidência robusta.

Stress e ansiedade: resultados inconclusivos
É também comum ouvir que mascar pastilha elástica reduz o stress, mas a ciência está longe de fechar esse capítulo. Há trabalhos que apontam melhorias, mas outros não encontram qualquer relação significativa entre mastigação e redução de ansiedade.
Regulação do apetite e perda de peso: mito ou possibilidade?
Uma revisão científica recente indica que mascar pastilha elástica pode reduzir a sensação de fome e o desejo de comer, o que parece promissor para quem quer controlar o apetite. Contudo, a ciência é clara neste campo: Não há base científica suficiente para considerar esta prática como estratégia de perda de peso. A EFSA já analisou o tema e concluiu que não existe relação de causa-efeito entre pastilha sem açúcar e manutenção do peso normal.
Há riscos? Sim — sobretudo nas pastilhas com açúcar
Se os potenciais benefícios se concentram na pastilha elástica sem açúcar, já os riscos são claros no outro extremo.
Pastilhas com açúcar
Segundo os especialistas, está “devidamente comprovado” que o consumo diário de pastilhas com açúcar:
- aumenta o risco de cáries;
- prejudica a saúde oral;
- contribui para desgaste dentário e acumulação de placa.
Pastilhas sem açúcar: riscos menores, mas existentes
Embora geralmente consideradas seguras, podem causar:
- gases;
- dores no maxilar;
- problemas digestivos.
Uma análise recente aponta ainda para uma possível ligação entre consumo frequente e disfunções temporomandibulares, sobretudo quando a mastigação é prolongada e repetida ao longo do dia.

Mascar pastilha pode ajudar… mas não faz milagres
Mascar pastilha elástica não é perigosa, quando feita com moderação, especialmente quando se escolhem versões sem açúcar. Também pode oferecer pequenos benefícios, consoante o tipo de pastilha e a situação. Porém, a ideia de que este hábito diário tem “benefícios astronómicos” não tem base científica. Assim, equilíbrio, bom senso e escolha adequada continuam a ser as melhores recomendações — como em quase tudo na saúde.







