É um “fiel amigo” é já muito apreciado pelos portugueses durante todo o ano, mas a verdade é passa a ser a estrela na mesa, na época de Natal — porém, saber escolher o melhor bacalhau e distingui-lo é essencial para evitar erros, enganos e pratos sem sabor.
O bacalhau volta a assumir o protagonismo das mesas portuguesas à medida que o Natal se aproxima. Seja à moda do Minho, do Douro, de Lisboa ou do Alentejo, uma verdade permanece: não há ceia tradicional sem um bom lombo do melhor bacalhau, de preferência, a lascar. Todavia, na correria das compras natalícias, muitos consumidores continuam a cair em armadilhas comuns — desde bacalhau demasiado branco até peças mal curadas ou de origem duvidosa.
Este guia explica como escolher o melhor bacalhau salgado seco, de qualidade superior, como evitar ser enganado e como garantir que a estrela da Consoada estará à altura da tradição portuguesa. No final, encontrará ainda um conjunto de receitas natalícias clássicas, perfeitas para aproveitar ao máximo o “fiel amigo”.
1. A primeira regra: confirmar a espécie (Gadus morhua)
O verdadeiro e o melhor bacalhau português — o que usamos na Consoada — é o Gadus morhua, capturado no Atlântico Norte/Nordeste. Outras espécies, como o Gadus macrocephalus do Pacífico, pertencem à mesma família, mas têm textura mais frágil e sabor menos intenso. Para confirmar é simples, verificar sempre o rótulo. A espécie tem de estar identificada de forma clara.
2. A cor ideal do melhor bacalhau: nem branco de mais, nem escuro
Ao contrário do que muitos acreditam, bacalhau muito branco não é obrigaotiramente sinónimo de qualidade. O melhor bacalhau apresenta um tom amarelo-palha natural, resultado de uma cura mais longa e tradicional. Assim, deve evitar:
- manchas vermelhas (indicam sangue ou má conservação);
- pó branco/cinza/amarelado (pode sugerir fungos ou armazenamento incorreto);
- excesso de sal (pode estar a disfarçar defeitos).
3. A cauda denuncia tudo
Um dos truques mais eficazes para não te enganares na altura de escolher o melhor bacalhau, recai precisamente na forma da cauda. Gadus morhua, tem uma cauda direita e um corte plano, enquanto as outras espécies têm, regra geral, a cauda em formato de V. Se a cauda está “bicuda”, aconselhamos a deixá-lo ficar no expositor.
4. Textura: firme, nunca pegajosa
Pode não parecer muito sanitário, é um facto, mas na escolha do melhor bacalhau, é quase obrigatório o toque com o mesmo. Não precisa, claro está, de “açambarcar” a totalidade da peça, mas toque com o dedo para verificar a textura:
- Se estiver pegajoso, rejeita imediatamente — significa que o peixe “queimou” devido a má temperatura no armazenamento.
- Se tiver fendas profundas ou estiver mal escalado, não será tão grave quanto o ponto anterior, mas também deverá ser evitado.
5. O teste dos 90 graus
É um dos métodos mais fiáveis para perceber a qualidade da cura, na altura em que estiver divido por qual optar. Para isso, e com o objetivo de sair do espaço comercial com o melhor bacalhau, deverá fazer o seguinte:
- Segurar o bacalhau pela zona mais larga (a “cabeça”).
- Dobrá-lo até cerca de 90 graus.
- Solta a cauda.
Se ficar reto (ou quase), está bem curado e seco. Já se dobrar, significa que está demasiado húmido — e isso compromete tudo, desde o sabor ao rendimento.
6. O mito da “asa branca”
Não passa disso mesmo, um mito! Pois não existe na natureza. É apenas bacalhau ao qual foi retirada a membrana negra interna. É frequentemente usado como truque de marketing para dar ideia de pureza — contudo, verdade seja dita, não significa melhor qualidade.
7. Classificações oficiais (e porque importam no Natal)
A lei portuguesa define diferentes categorias para o bacalhau salgado seco inteiro:
- Especial: +3 kg (o ideal para lombos grossos típicos da Consoada)
- Graúdo: até 3 kg
- Crescido: até 2 kg
- Corrente: até 1 kg
- Miúdo: até 0,5 kg
- Sortido: misto, de segunda categoria
Para o Natal, a esmagadora maioria das famílias portuguesas prefere Especial ou Graúdo, devido à sua suculência e rendimento.
8. Bacalhau salgado seco vs. demolhado ultracongelado
É uma das “eternas questões” no momento de escolha do melhor bacalhau, mas, na verdade, tudo depende do tempo disponível:
- Salgado seco: mais saboroso, mais barato ao kg e aumenta cerca de 30% após demolha.
- Ultracongelado já demolhado: mais prático, mas menos saboroso devido à perda de sal e à ultracongelação.
Para a Consoada, a escolha dos puristas continua a ser clara: salgado seco demolhado em casa.

Receitas de Natal com Bacalhau (e dicas adicionais)
Nenhum guia poderia ficar completo sem inspiração para a mesa. Aqui deixamos algumas das receitas mais tradicionais — com notas para garantir que o melhor bacalhau brilhará ainda mais na noite mais especial do ano.
1. Bacalhau cozido à portuguesa (o clássico da Consoada)
Ingredientes essenciais:
Lombos de bacalhau especial, batatas, couves, cenouras, ovos, azeite virgem extra, alho e cebola.
Dica de chef:
Se quiseres um prato mais macio sem perder firmeza, cozinha o bacalhau em lume muito brando, quase como se fosse “confitar” em água.
2. Bacalhau espiritual versão natalícia
Perfeito para quem quer fugir do cozido tradicional, sem perder aquele sabor familiar.
Segredo:
Usa pão de forma envelhecido em vez de pão fresco — absorve melhor o molho e mantém o prato mais consistente.
3. Bacalhau assado no forno com broa
A receita perfeita para jantares de Natal mais informais.
Truque:
Mistura a broa com azeite, alho e um toque de colorau — cria uma crosta dourada e irresistível.
4. Bacalhau com natas (para o almoço do dia 25)
É o prato ideal para aproveitar sobras da Consoada.
Melhoria obrigatória:
Evita o molho excessivamente líquido: em vez de engrossar com farinha, usa natas batidas com um pouco de gema.
5. Roupa velha de bacalhau
Um dos tesouros menos valorizados da gastronomia natalícia.
Mix perfeito:
Junta bacalhau desfiado, batatas de véspera, couve cozida, ovos mexidos e um fio generoso de azeite no fim.
Com o Natal à porta, escolher o melhor bacalhau pode ser a diferença entre uma ceia memorável ou um prato sem sabor. Confirmar a espécie, avaliar a cura, analisar a cauda e a cor e evitar práticas comerciais enganosas são passos fundamentais para garantir que o “fiel amigo” honra a tradição portuguesa. E depois de escolhida a peça ideal, só falta decidir a receita — das mais clássicas às mais reconfortantes. Afinal, poucas coisas simbolizam melhor o Natal português do que um bom bacalhau a lascar na mesa da família.