Adeus à regra dos frascos com mais de 100 ml nos aeroportos? A história (e o possível fim) de uma das medidas mais restritivas na aviação

A razão pela qual a regra dos líquidos não superiores a 100 ml pode desaparecer (Créditos: Unsplash)

Porque é que não pode levar o seu creme favorito na mala de mão? Porque é que não pode levar frascos com mais de 100 ml nos aeroportos? A culpa é de um atentado, mas há boas notícias no horizonte.

Se já fez uma mala de mão para viajar de avião, provavelmente enfrentou o clássico dilema: escolher entre o protetor solar, o champô ou a garrafinha de licor que trouxe de férias. A regra dos frascos com no máximo 100 ml, guardados religiosamente num saco transparente com fecho, já nos valeu muitos suspiros e frascos deixados para trás no controlo de segurança. Mas… de onde vem esta norma? E, mais importante ainda, vai mesmo acabar?

Tudo começou com um plano terrorista

Pode parecer exagerado proibir um frasco de 150 ml de água micelar, mas há uma razão para isso. A origem da regra remonta a agosto de 2006, quando autoridades britânicas descobriram um plano terrorista que pretendia explodir até dez aviões em pleno voo entre Londres e os EUA/Canadá. O ataque seria feito com explosivos líquidos, disfarçados em garrafas de bebidas e ativados a bordo com baterias de câmaras descartáveis ou até com “simples” combinações de líquidos.

O plano foi frustrado — felizmente. Vinte e quatro suspeitos foram detidos, e o mundo inteiro entrou em alerta. Nos dias seguintes, os aeroportos impuseram uma proibição total do transporte de líquidos. Depois, veio a solução “meio-termo”, que é aquela que ainda hoje seguimos: nada de líquidos em frascos com mais de 100 ml, todos dentro de um saquinho de plástico transparente com capacidade total até 1 litro, salvo exceções.

Sacos de transportes de líquidos até à data (Créditos: Worten)

O que conta como “líquido”?

Muita coisa. Água, sumos, champôs, cremes, loções, aerossóis, desodorizantes e até maquilhagem líquida entram na lista. Até um iogurte líquido conta. Exceções? Só para medicamentos (com receita), leite ou comida para bebés, ou alimentos especiais — e mesmo assim, sujeitos a inspeção.

Ah, e sim, mesmo que a garrafa esteja quase vazia, se tiver capacidade superior a 100 ml, é barrada. A lógica? A quantidade de líquido visível não importa. O que interessa é o volume possível. Há quem tente esvaziar as garrafas antes da segurança para não as perder — em alguns aeroportos, isso já é permitido e até há bebedouros depois do raio-X para encher a garrafa de novo.

Mas… há esperança?

Sim! A União Europeia está a mudar o jogo, com a introdução de novos scanners com tecnologia de tomografia computadorizada (CT), capazes de analisar as bagagens em 3D. Esta tecnologia permite detectar líquidos perigosos sem precisar que os retire da mala ou que estejam em frascos pequenos.

Aeroportos como Amesterdão, Helsínquia, Roma, Milão, Edimburgo e Birmingham já começaram a implementar os novos sistemas, permitindo frascos até dois litros por passageiro — e sem saco plástico! Ainda não é regra geral, mas o caminho está a ser feito. O Reino Unido, por exemplo, tem previsto eliminar totalmente a regra dos 100 ml em todos os aeroportos entre final de 2025 e início de 2026.

Controlo de segurança no aeroporto (Créditos: Facebook)

E por que isso é tão bom?

Para os passageiros: é menos stress, menos produtos deixados para trás, menos necessidade de despachar malas só por causa de um frasco. Para os comerciantes locais: há mais facilidade em transportar bebidas ou cosméticos típicos de cada país, o que pode incentivar o consumo de produtos regionais. No fundo, ganha toda a gente.

Então posso já levar o meu frasco de 500 ml?

Calma. Ainda não. A maioria dos aeroportos ainda segue a regra tradicional, e o novo sistema não é obrigatório nem uniforme. Ou seja, cada terminal decide se e quando adota os novos scanners. Se o seu voo tiver escalas em aeroportos diferentes, convém confirmar as regras antes de viajar — especialmente se planeia transportar líquidos.

Medidas e indicações gerais – que podem variar entre as companhia aéreas (Créditos: Facebook)

A regra dos 100 ml foi uma resposta de emergência que acabou por se tornar um hábito global. Mas com a tecnologia a evoluir e a segurança a ganhar novos aliados, os tempos de viajar com miniaturas de tudo podem estar a chegar ao fim. Até lá, siga a regra, prepare o saquinho e tente não se esquecer da tesoura das unhas (pelo menos com mais de 6 cm, mas dependendo da companhia aérea) — pois essa também será confiscada.

Leia aqui, outro artigo que todos nós utilizamos com frequência, mas que também tem regras muito específicas na aviação.

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